CENTRO OBSERVATÓRIO DAS
INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

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INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

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Pesquisador do COI tem artigo publicado na Revista TOMO

O artigo tem o título Plataformas digitais e startups como ativos financeiros: a dinâmica temporal dos novos negócios e integra o dossiê Sociologia Econômica no Brasil: Reconfigurações dos Mercados e Disputas de Poder

O pesquisador Marcel Maggion Maia, pós-doutorando do Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI) da USP, publicou um artigo com o título Plataformas digitais e startups como ativos financeiros: a dinâmica temporal dos novos negócios na Revista TOMO e que integra o dossiê Sociologia Econômica no Brasil: Reconfigurações dos Mercados e Disputas de Poder.

O texto parte da constatação de que, em suas fases incipientes, as plataformas digitais dependem de capital para se desenvolverem. O conteúdo foi obtido a partir de entrevistas qualitativas com agentes do mercado de startups e aceleradoras de negócios e a investigação aborda a dimensão temporal dos negócios digitais, mostrando como o tempo e as expectativas futuras são manipulados para atrair capital.

E o artigo descreve três práticas instituídas: o adiamento de investimentos, a manutenção de múltiplas ofertas simultâneas e a coordenação da abertura de ofertas em eventos.

A Revista TOMO é uma publicação em fluxo contínuo e de acesso aberto do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O primeiro número foi publicado em 1998 e que disponibiliza contribuições cientificamente relevantes advindas de pesquisadores brasileiros e estrangeiros. O principal objetivo da revista TOMO é ser um canal relevante de divulgação do conhecimento científico produzido no campo da Sociologia e suas áreas afins: Antropologia, Ciência Política e Relações Internacionais.

Maia tem bacharelado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mestrado e doutorado em Sociologia pela USP. E, há mais de 10 anos tem como tema de pesquisas as startups brasileiras e os dispositivos acionados por seus empreendedores. No mestrado, ele desenvolveu uma dissertação sobre Como nascem as startups? Uma análise microssociológica das performances e estratégias discursivas dos empreendedores à procura de capital. E, no doutorado, sua tese foi Jovem firma procura investidor: como as aceleradoras promovem encontros e moldam startups.

Há um ano, sua tese, foi agraciada como uma das melhores teses de doutorado defendidas no ano de 2024 no Prêmio Capes de Tese 2025. Saiba mais em USP tem nove trabalhos agraciados com Prêmio Capes de Tese 2025 e Pesquisador da FFLCH vence Prêmio Capes de Teses 2025.

Atualmente, no COI, ele desenvolve pesquisa de pós-doutorado sobre o processo de constituição e operação de novos modelos de firmas no campo do cuidado.

O artigo pode ser lido na íntegra pelo link  Plataformas digitais e startups como ativos financeiros: a dinâmica temporal dos novos negócios.

A pesquisa de pós-doutorado de Max Luiz Gimenes no Centro Observatório das Instituições Brasileiras se dedica à reconstrução histórica e teórico-metodológica da sociologia da cultura no Brasil e à problematização de seu papel como possível instrumento de antecipação e de compreensão do
sentido das crises sociais, num contexto de policrise global.


O projeto “A trajetória da sociologia da cultura no Brasil e seus novos desafios” dá continuidade à agenda do pesquisador, que tem atuado na interface entre a sociologia da cultura e o pensamento político e social brasileiro. Em sua tese de doutorado, Gimenes analisou a biografia e a obra do
cientista social e crítico literário Antonio Candido e suas relações com a política. Com base em extensa pesquisa em arquivos e na descoberta de documentos inéditos, pôde revelar uma dimensão ainda pouco conhecida da atuação desse importante autor já bastante estudado: suas contribuições
intelectuais pioneiras tanto ao pensamento político quanto à sociologia política no país.


Como explica Candido em Os parceiros do Rio Bonito (1954), diferentemente de uma situação de mudança, em que há “recomposição de estrutura” motivada pelo fato de que os “fatores de alteração avultam”, uma situação de crise “define-se, do seu lado, por tensões ainda não resolvidas, ou resolvidas parcialmente, entre os fatores de persistência e os de alteração, podendo originar reorganização ou desorganização mais ou menos profunda da estrutura”. Nesse sentido, ao ter como objeto privilegiado de estudos as produções artísticas, que figuram essas tensões muitas vezes antes mesmo que seus próprios produtores tenham consciência delas, a sociologia da cultura se apresenta como potencial instrumento de sondagem das crises sociais.


De acordo com o pesquisador, para estar à altura de tal desafio é preciso, em primeiro lugar, que essa subárea da sociologia seja capaz de refletir criticamente sobre si própria, desnaturalizando seu estado atual a partir do conhecimento de sua própria historicidade e dos estímulos sociais positivos e negativos que influíram sobre seu desenvolvimento. Por isso, o projeto está organizado em duas etapas. Uma primeira baseada na bibliografia e nos documentos disponíveis e voltada à reconstrução da origem e do desenvolvimento da sociologia da cultura no Brasil – os antecedentes na tradição ensaística; a institucionalização acadêmica após os anos 1930, com os professores estrangeiros da USP e os alunos reunidos em torno da revista “Clima”; a marginalização temática, entre as décadas de 1950 e 1970, em relação ao tema do desenvolvimento; a retomada posterior, mediante sobretudo a recepção de autores estrangeiros, como Theodor W. Adorno e Pierre Bourdieu. E uma segunda etapa baseada em revisão sistemática e análise bibliométrica e voltada à produção acadêmica contemporânea, tomando como universo preliminar o Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, dado o reconhecido papel pioneiro e formativo dessa instituição na história da sociologia da cultura no Brasil (Fonte: Autor)

A pesquisa de pós-doutorado de Jéssica Melo Rivetti no Centro Observatório das Instituições Brasileiras é dedicada ao estudo do feminicídio político no Brasil no período posterior à Constituição de 1988. Desenvolvido no campo da sociologia política, em diálogo com os estudos de gênero, o projeto examina a violência letal contra mulheres em posições de liderança e representação a partir dos debates sobre crise e erosão democrática. A investigação analisa como o silenciamento dessas lideranças restringe a participação política, o pluralismo e a organização coletiva, ainda que sob a continuidade das eleições e das instituições representativas.


Essa agenda dá continuidade à trajetória da pesquisadora no estudo das elites políticas latino-americanas e das condições de reconhecimento da autoridade feminina. Em sua tese de doutorado sobre Dilma Rousseff, realizada em cotutela e dupla titulação entre a o Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e o Departamento de Filosofia Política da Universidad de Granada (Espanha), Rivetti analisou a construção e a deslegitimação da autoridade política da primeira presidenta brasileira. No projeto atual, a pesquisadora amplia essa agenda, deslocando sua atenção para a violência política contra as mulheres com foco nos assassinatos daquelas cuja atuação envolve mandatos, organizações comunitárias e disputas territoriais. Esse recorte permite examinar a participação política para além dos cargos eletivos, considerando também lideranças que organizam demandas coletivas e confrontam as relações locais de poder.

 

Para Rivetti, investigar o feminicídio político exige reconstruir as trajetórias das mulheres, os conflitos em que estavam inseridas, isto é, o campo político e social, bem como as respostas institucionais aos crimes. Nesse sentido, a perspectiva interseccional orienta a análise de como gênero, raça/etnia, classe e território condicionam o exercício da liderança, a exposição à violência, bem como o acesso à proteção. Por fim, as disputas sobre a memória das vítimas e o reconhecimento do caráter político dos assassinatos também serão examinadas para compreender como suas implicações democráticas são (ou não) reconhecidas.


O projeto “Feminicídio político no Brasil: trajetórias, contextos e repercussões públicas” adota, portanto, uma perspectiva relacional para investigar regularidades nas trajetórias, nos contextos dos crimes generificados e suas repercussões. Com essa investigação, Rivetti procura compreender como a violência contra lideranças femininas participa da reprodução de hierarquias de dominação e compromete as condições de exercício da democracia – mesmo sob a vigência de direitos formalmente assegurados (Fonte: Autor)