CENTRO OBSERVATÓRIO DAS
INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

pt es en fr de

CENTRO OBSERVATÓRIO DAS
INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

pt es en fr de

Pesquisas Anteriores

Confira abaixo as pesquisas realizadas no Centro Observatório das Instituições Brasileiras anteriormente

Dra. Ana Carolina Silva Andrada

Currículo Lattes 

Dra. Camila Massaro Cruz de Góes

Currículo Lattes 

Ana Carolina Andrada é pós-doutoranda no Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI-USP). Graduada em Ciências Sociais (USP) e Jornalismo (Faculdade Casper Líbero), mestre (2013) e doutora (2022) em Sociologia pela Universidade de São Paulo. É também pesquisadora associada ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e à Rede Cuidado, Direitos e Desigualdades (Rede CuiDDe) (Fonte: Autora).

A pesquisa que Ana Carolina Andrada vem desenvolvendo no Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI-USP), intitulada “O direito de quem cuida: o acesso a proteções de trabalhadoras remuneradas e não remuneradas do cuidado no Brasil”, toma como foco as proteções oferecidas pelo Estado brasileiro às pessoas que realizam trabalho de cuidado nos domicílios, espaço frequentemente menos protegido e mais invisibilizado. 

 

A Constituição de 1988 incorporou uma série de direitos sociais ao conjunto de direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros. Ainda que a nova Carta Magna trouxesse avanços no que se refere à promoção de justiça social e à construção de novos sujeitos de direitos, ela alcançou de modo desigual os vários atores do cuidado (GUIMARÃES, 2023), aí incluídas as pessoas que dele são beneficiárias ou provedoras. Apesar de ter testemunhado alguns avanços nas décadas seguintes, o país não foi capaz de equiparar as proteções oferecidas aos diversos segmentos dessa população. A construção institucional do cuidado tornou-se um tema central e que demanda ação pública para garantir regulações que promovam a justiça e equidade. Assim, identificar e analisar os direitos oferecidos às trabalhadoras do cuidado remunerado e não remunerado no país é um passo fundamental a ser dado. 

 

Com esse objetivo, a pesquisadora vem utilizando um instrumento de avaliação específico, o Global Care Policy Index (GCPI), ferramenta desenvolvida por pesquisadoras da New York University, que permite analisar o grau de proteção oferecido no país e compará-lo a outras realidades nacionais. Esses avanços são fundamentais para subsidiar o debate nacional sobre a ampliação ou equiparação de direitos dessas pessoas, especialmente entre formuladores de políticas públicas e atores dos movimentos sociais.

 

As análises empreendidas até o momento indicam que, de modo geral, o Brasil apresenta um desempenho desigual no que se refere aos direitos relacionados ao trabalho de cuidado, remunerado ou não. A aplicação do GCPI ao caso brasileiro requer a consideração da heterogeneidade das formas de inserção ocupacional de quem realiza este tipo de trabalho. Uma vez que parcela significativa das garantias asseguradas pelo Estado depende da existência de vínculo formal de emprego, uma parte expressiva da população permanece pouco protegida.

 Camila Góes é graduada (2011) em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Durante o mestrado (2015), realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), fez um estágio de pesquisa no Departamento de História da Universidade de Princeton (2013), com bolsa Fapesp. É autora do livro “Existe um pensamento político subalterno?” editado pela Alameda/ Fapesp em 2018. Durante o doutorado, financiado pela Fapesp e realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp (2020), fez estágios de pesquisa em Roma, na Fondazione Istituto Gramsci (2016), e em Buenos Aires, no Centro de Documentación e Investigación de la Cultura de Izquierdas (2019). Foi pesquisadora de Pós-Doutorado no Departamento de Ciência Política da USP, com bolsa Fapesp (2021-2025). É pesquisadora de pós-doutorado bolsista no Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI-USP) e Editora assistente e de Preparação Editorial da revista Lua Nova desde 2025. (Fonte: Currículo Lattes)

Desde 2021, Camila Góes vem se dedicando ao estudo do pensamento político de Francisco de Oliveira. Inicialmente, com financiamento da Fapesp (2021-2024), investigou seus usos singulares das categorias de Antonio Gramsci, examinando como as noções de hegemonia e revolução passiva foram mobilizadas não como aplicações estritas do léxico gramsciano, mas como instrumentos heurísticos voltados à interpretação da sociedade brasileira entre os anos 1970 e 2000. Ao serem tensionadas pelo contexto nacional, essas categorias geraram formulações próprias sobre o funcionamento do capitalismo no Brasil e seus efeitos sobre a democracia.

 

A pesquisa apontou que a reflexão de Oliveira ganhou novos contornos com as transformações neoliberais dos anos 1990, quando o autor passou a questionar a utilidade do próprio conceito de hegemonia para interpretar a política brasileira. Suas análises, sintetizadas em noções como “Era da indeterminação” e “hegemonia às avessas”, apontaram, respectivamente, para a perda de autonomia da política democrática diante do capital financeiro e para a contradição entre governos populares e bloqueios estruturais à redistribuição. A pesquisa demonstrou que Oliveira observou problemas que hoje marcam o debate internacional sobre o esgotamento da democracia sob o neoliberalismo.

 

Na sequência, já como pós-doutoranda no COI, em 2025, Góes passou a examinar o trabalho intelectual coletivo do Cenedic, que completou trinta anos em 2025. A partir de obras como Os sentidos da democracia (1999), Hegemonia às avessas (2005), As contradições do lulismo (2016) e Brasil no inferno global (2022), Góes passou a estudar as inflexões pelas quais o centro reinterpretou a democracia brasileira ao longo de três décadas – do otimismo inicial com a redemocratização à crítica da desregulamentação neoliberal, passando pelas ambivalências do lulismo e pela ascensão da extrema direita.

 

O objetivo desta pesquisa, que se encontra em andamento, é identificar se, a partir de pontos de vista diversos, emerge uma concepção compartilhada de democracia. A hipótese é que haja uma visão comum que, sem ignorar garantias procedimentais – eleições, imprensa livre, instituições – enfatiza o caráter material da democracia: a ideia central é a de que certas formas de “autoritarismo estrutural” só podem ser enfrentadas mediante a disputa distributiva que lhes dá sustentação. Em linhas amplas, identificam-se duas inflexões: uma aposta na capacidade democratizante da mobilização popular; outra, na importância de um Estado capaz de promover crescimento, proteção social e redistribuição.

 

Paralelamente, a pesquisadora inicia a formulação de um novo projeto voltado a investigar de que modo a crise democrática contemporânea no Brasil reatualiza impasses estruturais identificados nos anos 1970 por intérpretes do capitalismo dependente e como esses dilemas se vinculam ao cenário internacional atual. O ponto de partida são os diagnósticos de Fernando Henrique Cardoso, para quem a fragilidade democrática latino-americana derivava menos da forma dos regimes e mais de uma exclusão política persistente, capaz de limitar qualquer democratização substantiva. A partir desse quadro, o projeto busca incorporar autores como Florestan Fernandes e o próprio Oliveira, que também identificaram limites estruturais a uma democratização assentada em bases sociais profundamente desiguais. A expectativa é que a retomada dessas leituras, devidamente contextualizadas, contribua para compreender como problemas clássicos – exclusão política, funcionalidade de arranjos autoritários e bloqueios à cidadania – ressurgem, sob novas formas, na crise pós-2016. Articular esse legado às transformações recentes do capitalismo avançado deve ainda permitir situar o caso brasileiro em perspectiva comparada, iluminando tensões que atravessam a democracia liberal hoje. (Fonte: Autora)