CENTRO OBSERVATÓRIO DAS
INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

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Última sessão do ciclo de debates discute o trabalho sexual nas plataformas digitais

O evento terá a apresentação de três expositores: Cinthya Bastos Ferreira, Gustavo Carneiro e Julia Rodrigues, que estudam a questão e são pós-graduandos, respectivamente, dos Programas de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP)

Por: Eliete Viana

No dia 10 de junho, das 10h30 às 12h, será realizada a sessão com o tema Intermediando o trabalho sexual e apresentação de três expositores: Cinthya Bastos Ferreira, Gustavo Carneiro e Julia Rodrigues, que são pós-graduandos, respectivamente, dos Programas de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP). Os três, apesar de vinculados a instituições diferentes, estudam a mesma questão do trabalho sexual nas plataformas digitais, como OnlyFans e Privacy, abordando o comércio existente e evidenciando a emergência de uma nova cultura do trabalho no momento neoliberal.

Esta é a terceira e última sessão deste semestre do ciclo de debates Intermediando o cuidado, promovido pelo grupo de pesquisas As instituições do cuidado e a reprodução da vida cotidiana do Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI-USP).

A sessão é aberta para a participação do público em geral, no formato híbrido. Para participar presencialmente, basta comparecer na sede do COI, localizado na sala 5 do 3º andar do Centro de Difusão Internacional, na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Bloco A, no campus do bairro do Butantã. Já para a participação virtual, é necessário fazer inscrição prévia por este formulário. As pessoas inscritas receberão o link de acesso à sala virtual um dia antes de cada sessão.

Ciclo de debates

Este ciclo de debates é dedicado à intermediação do trabalho remunerado e tem organização da professora Nadya Araujo Guimarães, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), e de Marcel Maia, pós-doutorando do Centro. “A intermediação se refere ao serviço de promover o encontro entre quem demanda trabalho de cuidado e quem oferta este trabalho no mercado. Este encontro nem sempre acontece facilmente. As agências de trabalho são as prestadoras mais tradicionais deste serviço de intermediação, selecionando babás, cuidadoras de idosos, cozinheiras, faxineiras e outras profissionais, e encaminhando-as para famílias e organizações. Porém, as plataformas digitais têm despontado neste cenário, e elas surgem com força”, explica Maia.

A professora Nadya, que também é coordenadora do grupo de pesquisas, complementa: “a intermediação digital do trabalho altera substancialmente o contexto em que faxineiras, diaristas, babás e cuidadoras procuram trabalho. Ela demanda novas competências. Há que estar preparada para uma interação que deixa de ser face a face, como na antiga agência de empregos, ou quando uma “patroa” encaminhava alguém para uma amiga. Agora se requer maior conhecimento formal, há que dispor de um meio digital para os contatos (um celular com créditos, por exemplo) e estar habilitada para o manejo das ferramentas do mundo digital. Há que saber descrever as suas competências e vantagens comparativas num texto certeiro, escrito na forma de uma “minibio”; há que saber negociar as condições de trabalho, atenta ao formato desafiador dos websites das plataformas; bem como há que estar preparada para lidar com as regras de monetização do serviço intermediado – só para apontar alguns desses novos desafios que os nossos debates estarão tomando em conta, ao longo do semestre, nas várias sessões do ciclo.”

Em abril, no dia 8, foi realizada a primeira sessão deste semestre, com o tema Novas figuras do trabalho: as plataformas de delivery e seus trabalhadores, e exposição da professora Cibele Rizek, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP e também do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A segunda sessão, no dia 13 de maio, teve a apresentação da professora Claudia Rebechi, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), abordando a temática Plataformas de trabalho doméstico: uma comparação Brasil – Estados Unidos. Confira aqui a playlist com as duas sessões.

Intermediando o trabalho sexual
Data: 10 de junho, quarta-feira
Horário: das 10h30 às 12h
Local: Sala 5 do 3º andar do Centro de Difusão Internacional, localizado na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Bloco A (em frente à Escola de Comunicações e Artes – ECA) – no campus do bairro do Butantã
Participação virtual: preencher o formulário de inscrição
Entrada gratuita
Mais informações: coi@usp.br

Acesso aos textos de discussão nas sessões pelo drive do COI-USP.

A pesquisa de pós-doutorado de Max Luiz Gimenes no Centro Observatório das Instituições Brasileiras se dedica à reconstrução histórica e teórico-metodológica da sociologia da cultura no Brasil e à problematização de seu papel como possível instrumento de antecipação e de compreensão do
sentido das crises sociais, num contexto de policrise global.


O projeto “A trajetória da sociologia da cultura no Brasil e seus novos desafios” dá continuidade à agenda do pesquisador, que tem atuado na interface entre a sociologia da cultura e o pensamento político e social brasileiro. Em sua tese de doutorado, Gimenes analisou a biografia e a obra do
cientista social e crítico literário Antonio Candido e suas relações com a política. Com base em extensa pesquisa em arquivos e na descoberta de documentos inéditos, pôde revelar uma dimensão ainda pouco conhecida da atuação desse importante autor já bastante estudado: suas contribuições
intelectuais pioneiras tanto ao pensamento político quanto à sociologia política no país.


Como explica Candido em Os parceiros do Rio Bonito (1954), diferentemente de uma situação de mudança, em que há “recomposição de estrutura” motivada pelo fato de que os “fatores de alteração avultam”, uma situação de crise “define-se, do seu lado, por tensões ainda não resolvidas, ou resolvidas parcialmente, entre os fatores de persistência e os de alteração, podendo originar reorganização ou desorganização mais ou menos profunda da estrutura”. Nesse sentido, ao ter como objeto privilegiado de estudos as produções artísticas, que figuram essas tensões muitas vezes antes mesmo que seus próprios produtores tenham consciência delas, a sociologia da cultura se apresenta como potencial instrumento de sondagem das crises sociais.


De acordo com o pesquisador, para estar à altura de tal desafio é preciso, em primeiro lugar, que essa subárea da sociologia seja capaz de refletir criticamente sobre si própria, desnaturalizando seu estado atual a partir do conhecimento de sua própria historicidade e dos estímulos sociais positivos e negativos que influíram sobre seu desenvolvimento. Por isso, o projeto está organizado em duas etapas. Uma primeira baseada na bibliografia e nos documentos disponíveis e voltada à reconstrução da origem e do desenvolvimento da sociologia da cultura no Brasil – os antecedentes na tradição ensaística; a institucionalização acadêmica após os anos 1930, com os professores estrangeiros da USP e os alunos reunidos em torno da revista “Clima”; a marginalização temática, entre as décadas de 1950 e 1970, em relação ao tema do desenvolvimento; a retomada posterior, mediante sobretudo a recepção de autores estrangeiros, como Theodor W. Adorno e Pierre Bourdieu. E uma segunda etapa baseada em revisão sistemática e análise bibliométrica e voltada à produção acadêmica contemporânea, tomando como universo preliminar o Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, dado o reconhecido papel pioneiro e formativo dessa instituição na história da sociologia da cultura no Brasil (Fonte: Autor)

A pesquisa de pós-doutorado de Jéssica Melo Rivetti no Centro Observatório das Instituições Brasileiras é dedicada ao estudo do feminicídio político no Brasil no período posterior à Constituição de 1988. Desenvolvido no campo da sociologia política, em diálogo com os estudos de gênero, o projeto examina a violência letal contra mulheres em posições de liderança e representação a partir dos debates sobre crise e erosão democrática. A investigação analisa como o silenciamento dessas lideranças restringe a participação política, o pluralismo e a organização coletiva, ainda que sob a continuidade das eleições e das instituições representativas.


Essa agenda dá continuidade à trajetória da pesquisadora no estudo das elites políticas latino-americanas e das condições de reconhecimento da autoridade feminina. Em sua tese de doutorado sobre Dilma Rousseff, realizada em cotutela e dupla titulação entre a o Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e o Departamento de Filosofia Política da Universidad de Granada (Espanha), Rivetti analisou a construção e a deslegitimação da autoridade política da primeira presidenta brasileira. No projeto atual, a pesquisadora amplia essa agenda, deslocando sua atenção para a violência política contra as mulheres com foco nos assassinatos daquelas cuja atuação envolve mandatos, organizações comunitárias e disputas territoriais. Esse recorte permite examinar a participação política para além dos cargos eletivos, considerando também lideranças que organizam demandas coletivas e confrontam as relações locais de poder.

 

Para Rivetti, investigar o feminicídio político exige reconstruir as trajetórias das mulheres, os conflitos em que estavam inseridas, isto é, o campo político e social, bem como as respostas institucionais aos crimes. Nesse sentido, a perspectiva interseccional orienta a análise de como gênero, raça/etnia, classe e território condicionam o exercício da liderança, a exposição à violência, bem como o acesso à proteção. Por fim, as disputas sobre a memória das vítimas e o reconhecimento do caráter político dos assassinatos também serão examinadas para compreender como suas implicações democráticas são (ou não) reconhecidas.


O projeto “Feminicídio político no Brasil: trajetórias, contextos e repercussões públicas” adota, portanto, uma perspectiva relacional para investigar regularidades nas trajetórias, nos contextos dos crimes generificados e suas repercussões. Com essa investigação, Rivetti procura compreender como a violência contra lideranças femininas participa da reprodução de hierarquias de dominação e compromete as condições de exercício da democracia – mesmo sob a vigência de direitos formalmente assegurados (Fonte: Autor)