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Vice-presidente do COI participa de evento sobre inovação social, tecnologia e criação

Maria Arminda do Nascimento Arruda foi uma das painelistas da 9° edição da Conferência Science, Business e Culture

Por: Eliete Viana

(Da esq.p/dir.) Professor Tito Bonagamba, do Instituto de Física de São Carlos da USP; Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da FFLCH e vice-presidente do COI; Suéli Feio, cofundadora e líder do Instituto Costurando Sonhos Brasil; Mirlene Simões, pesquisadora do INCT Caleidoscópio – Pagu Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e Fabiana Severi, professora da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP Foto: Eliete Viana/COI-USP

 

Na manhã do dia 11 de maio, foi realizado o painel Inovação social, tecnologia e criação: oportunidades e realizações presentes e futuras, que fez parte da 9° edição da Conferência Science, Business e Culture (SciBiz), no prédio do Centro de Difusão Internacional (CDI), no campus do bairro do Butantã, em São Paulo. A vice-presidente do Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI), Maria Arminda do Nascimento Arruda, foi uma das palestrantes do painel, que contou também com Suéli Feio, cofundadora e líder do Instituto Costurando Sonhos Brasil; Mirlene Simões, pesquisadora do INCT Caleidoscópio – Pagu Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Fabiana Severi, professora da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP; com moderação do professor Tito Bonagamba, do Instituto de Física de São Carlos da USP.

Este painel teve o intuito de apresentar uma discussão inicial acerca da inovação social, apresentando exemplos de realizações e propostas futuras. Segundo a organização do evento, a inovação social pode ser definida como o desenvolvimento e a implementação de novas ideias (sejam produtos, serviços, modelos, processos ou até mesmo leis) que, simultaneamente, atendem a necessidades sociais de forma mais eficaz do que as soluções existentes e aumentam a capacidade da sociedade agir; sendo um campo interdisciplinar, que envolve transformações com criatividade e tecnologia. E o valor criado por essas inovações acumula-se principalmente para a sociedade como um todo, em vez de se restringir a indivíduos ou empresas.

As mulheres são a maioria na inovação social e impulsionam mudanças internas e externas às instituições, criando modelos com sustentabilidade, equidade e soluções colaborativas para problemas reais. Por isso a realização deste painel com mulheres de várias áreas de atuação. “Pensar na inovação social, que pode ajudar a transformar a sociedade. (…) Publique e interaja com a sociedade e não só publique se não pereça”, destacou Bonagamba, moderador do painel no início.

Painel

Confira um resumo dos principais pontos levantados pelas convidadas no painel.

Suéli Feio disse que começou sua atuação mais voltada aos direitos das mulheres após um caso que receberam de violência doméstica. Ela ressaltou que, na realidade das mulheres de Paraisópolis, em São Paulo, a costura tem o poder de juntar, transformar, e, atualmente, 80% do faturamento é do reaproveitamento de uniformes, mostrando que o trabalho realizado no Instituto Costurando Sonhos Brasil é uma fonte de renda para as mulheres e uma forma de empoderamento social, que também une moda consciente e sustentabilidade.

Mirlene Simões destacou que “nosso produto final são as pessoas” para enfatizar que na área de inovação social as tecnologias e criações devem ser voltadas para mudar a sociedade. Sobre as mulheres que empreendem, ela lembrou que grande parte delas são por necessidade e estão mais ligadas às questões dos filhos, com intersecção à raça. E ela disse “não tenho respostas, mas questões para pensar” ao falar sobre, por exemplo, como devemos utilizar essa energia das mulheres não só para a questão da sobrevivência.

Fabiana Severi comentou que é importante pensar nossas ações e ir além dos estereótipos. Ela lembrou que, segundo pesquisas, hoje as famílias são, em sua maioria, chefiadas por mulheres, muitas delas racializadas – em agosto de 2025, foi divulgada uma pesquisa encomendada pelo programa Fantástico, da TV Globo, à Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qual revelou que são mais de 41 milhões de domicílios têm mulheres como principais provedoras, o que corresponde a 51,7% das famílias.

Ela contou sobre sua mãe, a qual mesmo proibida pelo marido, seu pai, de ter direitos, como ter uma licença para dirigir – Carteira Nacional de Habilitação (CNH) – e de trabalhar, por exemplo, ela inovou vendendo produtos de cosméticos e assim conseguiu que seus filhos ingressarem em universidade pública. Para ela, as mulheres que sofrem violência só devem ser chamadas de vítimas quando são fatais, porque as mulheres não são passivas. E o que a mulher mais quer quando denuncia um agressor não é saber como ele ficará e sim sobre os serviços aos quais ela terá acesso.

Maria Arminda começou dizendo que “ouvi exposições tão importantes sobre inovação social”, antes de iniciar sua apresentação. A professora de Sociologia da área de Cultura da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) frisou que o tema inovação social traz uma multiplicidade de questões, que estamos falando de processos de transformações, pois “inovação é uma mudança de conduta, é um ato social”, que exige uma ruptura da ordem social. Ela destacou também que é importante pensar localmente, mas ao mesmo tempo “articular a noção de inovação com outros temas”. 

Para exemplificar as dificuldades extras que as mulheres passam ao exercerem cargos de liderança ou empreender, Maria Arminda citou a publicação de um Index da igualdade de gênero nas universidades públicas do estado de São Paulo, em 2025, que ela organizou quando era vice-reitora da USP, junto com outras vice-reitoras ou coordenadoras gerais da USP, Unicamp, UNESP, UFABC, UFSCar e Unifesp.

E aproveitou para destacar que apesar de não ter estudado questões de gênero até ser coordenadora do Escritório USP Mulheres, de 2019 a 2022, ela foi afetada por essas questões cada vez que alcançava novos cargos na estrutura da universidade.

 

9° edição da Conferência SciBiz

O SciBiz é um dos principais eventos da América Latina, dedicado à conexão entre ciência e negócios, promoção do avanço das tecnologias deeptech e a construção de soluções sustentáveis para desafios globais. E tem a missão de integrar pesquisadores, empreendedores e investidores; acelerando e escalando o processo de transformação da invenção em inovação.

A programação contou com palestras, painéis e exposições, que abordaram as principais tendências e desafios relacionados à inovação e ao desenvolvimento de tecnologias de alto impacto social. E contou também com apresentações de arte e cultura da Orquestra de Câmara (OCAM) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

O evento foi realizado pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), pela Agência USP de Inovação (Auspin) e pelo Centro de Inovação (InovaUSP), todos da USP, com organização da Fundação Instituto de Administração (FIA), nos dias 11 e 12 de maio, nos prédios do CDI e InovaUSP.